Mesmo com esse processo de desenvolvimento, aparelhamento cientifico, modernização organizacional, modificação e criação na legislação esportiva, o futebol brasileiro tem-se apresentado de forma irregular e por que não dizer desorganizado, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e as Federações Estaduais de futebol, são dirigidas por anos e anos por apenas um mandatário, o que pode caracterizar uma ditadura na área esportiva em que as pessoas se perpetuam no poder, fato que se estende aos clubes de futebol em que existem os seus donos, mandatários ou beneméritos que direcionam a (des) organização do futebol com seus interesses particulares, interesses políticos e ideológicos.
Retratando essa questão da (des) organização no futebol particularizaremos nosso estudo para o futebol paraense que dentro do cenário futebolístico brasileiro já teve seu apogeu através da participação e conquistas nacionais, com grande destaque para os dois maiores clubes do Estado, Clube do Remo e Paysandu, que conquistaram, juntamente com a Tuna Luso Brasileira, outra força do futebol paraense, seis títulos nacionais, sendo, três títulos da segunda divisão e dois da terceira divisão e o mais importante de todos o título de campeão dos campeões conquistado pelo Paysandu, que proporcionou a primeira e única participação de um clube da Região Norte na Taça Libertadores das Américas, torneio que é disputado pelos melhores clubes classificados em seus respectivos países Sul-Americanos cujo vencedor decide o título mundial interclubes com o campeão dos demais continentes.
O futebol paraense vem passando por diversas crises, atualmente (sobre) vive de seu passado, se encontra afastado dos grandes centros do futebol brasileiro e fora da primeira divisão, principal categoria do país, com custos elevados de manutenção, baixos salários de jogadores, ausência de patrocínio e, principalmente, dívidas trabalhistas com funcionários, jogadores e fornecedores que constantemente tem levado o patrimônio desses clubes a leilões e conseqüente venda de parte de seus bens, diferente do futebol centralizado nas regiões Sul e Sudeste, futebol milionário, dos grandes clubes, com milhares de torcedores, patrimônio invejável, patrocínio de empresas multinacionais.
Não é preciso ser especialista em administração ou organização esportiva, para perceber que a presença desses fatos negativos perpassa pela precária estrutura e organização dos dirigentes desses clubes ao longo do tempo, pois os erros e as falhas sempre são as mesmas; contratação exagerada de jogadores de outros centros de condições técnicas duvidosas, contratos assinados sem ao menos o atleta realizar os exames médicos, contratos com multas abusivas em favor do atleta, emissão de cheques ou promissórias que deixam de ser pagas, o que proporciona a multiplicação das dívidas. (MENDES, 2000).
Conseqüentemente essa crise administrativa, contribui para uma desvalorização do futebol paraense sendo criticado infurtivamente tanto regionalmente quanto nacionalmente através de jogadores, empresários e programas esportivos, caso recente do ex-jogador do Remo, Sandro Silva, que atualmente se encontra no Palmeiras, que em determinado programa esportivo de divulgação nacional, distribuiu criticas veementes a organização do clube e a seus dirigentes, fato que desestimula a vinda de outros atletas para o futebol paraense. Por outro lado pode-se analisar de forma positiva que a não vinda ou a diminuição de jogadores de outros centros pode proporcionar uma valorização do atleta regional que nesse bojo de características sempre é desvalorizado profissionalmente e financeiramente.
Essa desvalorização tem inicio na formação dos garotos, que participam das categorias de base dos clubes, não recebem qualquer apoio, a não ser de algum abnegado ou de seus próprios pais, treinam em campos distantes e sem qualquer qualidade de gramado. Outrossim, quando galgados as equipes profissionais sofrem o preconceito ou discriminação dos técnicos que geralmente são contratados de fora do Estado, trazendo consigo, uma leva de jogadores e sua comissão técnica, desvalorizando-se os profissionais da terra.
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