Após esses relatos, pode-se perguntar; será que o futebol paraense não apresenta nada de positivo?
Afinal de contas Belém concorre com mais dezessete cidades brasileiras para ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, que se realizará no Brasil. Respondemos com certeza sim, tem-se um estádio de futebol considerado um dos mais modernos do país, uma mídia esportiva, radiofônica, escrita e televisiva que respira futebol praticamente vinte e quatro horas diárias e principalmente um povo que é apaixonado por futebol.
A torcida tem um papel fundamental na história de Remo e Paysandu, sempre com destaque nacional por comparecem em grande massa nos jogos realizados em Belém e no Interior do Estado. É nacionalmente conhecido o torcedor paraense, de ambos os times, do ano de 2002 até 2005 os dois clubes foram campeões de público nos estádios durante o Campeonato Brasileiro, sendo que o Paysandu foi campeão de público de 2002 até 2004 na primeira divisão e o Clube do Remo foi campeão de público em 2005 na terceira divisão do mesmo campeonato. Nem mesmo Corinthians e Flamengo, reconhecidamente os dois times de maiores torcidas do Brasil conseguiram superar as marcas dos times de Belém do Pará.
No contexto nacional, atualmente, o Paysandu está na terceira divisão do Campeonato Brasileiro e o Clube do Remo luta no Campeonato Paraense, por uma vaga na quarta divisão. Mesmo presentes nessas divisões inferiores do futebol nacional Remo e Paysandu conseguem levar trinta e cinco mil torcedores ao Mangueirão e o mais interessante é que no intuito de colaborar com os clubes paraenses, mas está claro que não passa de uma jogada política o Governo do Estado, através de seu canal de televisão transmite os jogos diretamente para todo o Estado inclusive para a capital Belém.
Tal presença do torcedor paraense denota um grande interesse e participação para o crescimento de seus clubes, mas que durante longo tempo vem sofrendo com os descasos de seus dirigentes. Descaso que perpassa pela falta de segurança antes, durante e depois dos jogos, precariedade nos transportes coletivos e principalmente na exorbitância do valor dos ingressos, muita das vezes, não condizendo com o salário desse torcedor.
As categorias de base são o alicerce do futebol profissional. Formam jogadores, agregam receita e, na maioria das vezes, sobrevivem independente, sem grandes ajudas dos clubes. No Pará os dirigentes não descobriram o potencial das bases. O Paysandu, por exemplo, já exportou Magno para o Japão, Marabá para o flamengo entre outros jogadores, no entanto, parece esquecer a origem dos craques. Os times semiprofissionais treinam em campos de subúrbio em Belém, driblando a falta de materiais, como chuteiras, uniformes e até água para hidratar e tomar banho.
Poucos são os jogadores da base que recebem ajuda de custo, geralmente os que se destacam nos treinamentos, assinam contrato e recebem apenas ajuda para o transporte. O apoio que as divisões de base recebem, quase sempre são de abnegados e colaboradores. Quando um jogador da base é vendido, o dinheiro, que deveria ser repassado para investimentos na categoria de base, não recebe absolutamente nada. O dinheiro é investido em outras áreas, principalmente no futebol profissional. Apesar das dificuldades, as bases dos maiores clubes paraenses sobrevivem.
O descaso com as divisões de base são tão grandes, que os clubes acabam perdendo jogadores, que futuramente podem gerar dividendos, para clubes de outros centros, principalmente no eixo Sul/Sudeste.
Podemos citar o exemplo do jogador Paulo Henrique, que observando a pífia infra-estrutura da divisão de base do Paysandu, foi levado ao Santos Futebol Clube, através do Giovanni, jogador paraense que estava no Santos na época da transferência. Paulo Henrique é um jogador extremamente habilidoso, atualmente tem 20 anos e com o trabalho feito na divisão de base do clube santista, está no profissional, oscilando entre o time reserva e o time titular.
Paulo Henrique tem uma estrutura que não encontraria até mesmo nas equipes profissionais de Remo e Paysandu. Tendo uma visão de mercado, o Santos faz um trabalho diferenciado com esses jogadores que se destacam, por exemplo, ele tem psicólogo, personal trainer, aulas de inglês e espanhol. Todos esses privilégios geram custos, no entanto, o jogador está sendo preparado para ser vendido para o exterior e, provavelmente, esse custo será pouco na hora da venda. Milhões e milhões de reais entrarão no cofre do time santista com a venda desse jogador.
Caso ele estivesse jogando pelo Paysandu, provavelmente ainda estaria treinando nos campos de várzeas, sem estrutura adequada, desvalorizado como muitos jogadores paraenses, enquanto que os dirigentes continuariam exportando jogadores, sendo que no quintal de casa o clube possui jóias raras que acabam sendo lapidadas por clubes de outros Estados.
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